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Sabado, 16 de Outubro de 2021
Notícia : 04/09 - Greve no ABC afeta 4ª fábrica da VW
A partir de hoje, a Volkswagen de São Carlos (interior de São Paulo) deve sentir os efeitos da greve dos trabalhadores da unidade do ABC. Em São Carlos, 500 empregados produzem 1.600 motores por dia para carros de todos os modelos da empresa.

"Os motores já se acumulam em São Carlos porque não estão sendo enviados para o ABC. Alguns componentes necessários para sua fabricação também começam a faltar", afirma Rosalino de Jesus de Barros, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos.

A fábrica da cidade é a quarta do grupo VW afetada pela greve de 12,4 mil empregados de São Bernardo do Campo, iniciada há seis dias em protesto contra a demissão de 1.800 trabalhadores. Além da unidade do ABC, a empresa concedeu folgas e marcou férias coletivas em São José dos Pinhais (PR) e em Taubaté (SP).

Sem um acordo para reduzir custos, a Volkswagen diz que pode demitir até 6.100 empregados e fechar a fábrica do ABC paulista.

Com a paralisação e seus reflexos em outras unidades, representantes dos trabalhadores estimam que entre 4.000 e 5.000 veículos já deixaram de ser produzidos. Metade deles só no ABC paulista (Fox Europa, Pólo, Gol, Kombi e Saveiro).

Em São José dos Pinhais, onde a produção diária é de 800 carros (Fox, CrossFox e Golf), 3.600 funcionários não trabalharam na sexta e no sábado por falta de peças vindas de São Bernardo.

"Na segunda-feira [hoje], os 1.100 empregados do primeiro turno devem continuar parados porque os carregamentos de peças não foram despachados do ABC para cá", afirma Jamil Dávila, secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba (Força Sindical).

Protesto em revendas

O protesto nas revendas da VW, marcado para quarta-feira

(6) em várias capitais, envolverá trabalhadores de quatro montadoras do ABC --Ford, DaimlerChrysler (Mercedes-Benz), Scania e Toyota--, que devem coordenar as manifestações.

"A idéia é levar grupos de 50 a 100 pessoas na porta de cada concessionária", diz Francisco Duarte de Lima, o Alemão, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.


Leia ainda sobre o assunto:

Volk: 3,5 mil funcionários aceitam demissão voluntária na Alemanha

Três mil e quinhentos funcionários da Volkswagen na Alemanha aceitaram deixar a empresa no primeiro semestre por meio de um programa de demissões voluntárias. Os números foram anunciados nesta segunda-feira pelo presidente da montadora, Bernd Pischetsrieder.

Este plano, que abrange um total de 5 mil postos de trabalho na Alemanha até o final deste ano, faz parte de um vasto programa de reestruturação.

A Volks está disposta a suprimir até 20 mil empregos antes de, no máximo, três anos em suas fábricas do oeste da Alemanha.



Caso VW não afugenta empresas

A crise que se abateu sobre a Volkswagen do Brasil demonstra dificuldades do Grande ABC na captação de investimentos do setor privado? Para consultores e dirigentes empresariais, a reestruturação da montadora pode ter impacto na economia regional, mas é um caso pontual e isolado na atual realidade econômica dos sete municípios.

Uma demonstração de que é um caso isolado é o fato de que, ao mesmo tempo em que a companhia alemã anuncia 1,8 mil demissões e ameaça fechar a fábrica por problemas de competitividade, outras grandes empresas, de diversos segmentos (petroquímico, automotivo, da área de serviços), divulgam investimentos na região, numa demonstração de que acreditam na força da economia local.

No último mês, a Petrobras comunicou que investirá US$ 300 milhões na Recap (Refinaria de Capuava), em Mauá, no período de 2006 até 2010, e há poucos dias, a direção da Solvay informou que aplicará outros US$ 150 milhões para ampliar a fábrica de Santo André.

Do setor automotivo, a Toyota acaba de divulgar que vai aportar US$ 42 milhões em São Bernardo e transformará a planta fabril em plataforma de exportação de autopeças para os Estados Unidos. Além dos recursos anunciados por essas empresas, há outros projetos em andamento. Entre eles, o plano da TIM, que monta um centro tecnológico em Santo André, com estimados US$ 119 milhões.

Desarticulado – “O caso Volkswagen pode atrapalhar, mas está desarticulado do momento que a região vive”, afirma o coordenador do Observatório Econômico de Santo André, Antonio Carlos Schifino. Ele acrescenta que a reestruturação da montadora já faz parte do passado para outras fabricantes.

O consultor automotivo André Beer concorda. Na sua avaliação, enquanto outras companhias fizeram programas de redução de custos e transferiram parte significativa da produção para fábricas modernas e altamente eficientes, a Volks firmou há alguns anos um acordo “estranho” de estabilidade de empregos e mantém hoje uma fábrica superdimensionada para sua produção.

“As indústrias passaram por grandes mudanças tecnológicas que alijam um certo número de empregados. Ao assinar um acordo de estabilidade, a empresa fez uma blindagem que não faz sentido”, afirma Beer. “O problema não surgiu de uma hora para outra, em 2001, já havia excedente”, acrescenta o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Bernardo, Mauro Miaguti.

É claro que a crise da companhia traz um impacto negativo, avalia o diretor da regional da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Hermes Soncini. “Mas é algo natural a redução do número de trabalhadores, com a evolução das tecnologias e a globalização”, disse o empresário.



Região precisa planejar futuro

Para o diretor da regional do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti, a região precisa fazer um planejamento para os próximos cinco anos para definir melhor o modelo de economia que quer para o futuro. Segundo ele, apesar dos esforços de entidades regionais não se tem conseguido segurar empresas.

Mas a perda de força na área automotiva não é novidade, na avaliação do consultor automotivo André Beer. “As empresas de metalurgia de maior porte já foram embora, isso é um fato consumado”, disse. Para ele, o que é preciso é buscar, por exemplo, capacitar o pessoal que perdeu o emprego no segmento para que seja utilizado em outras áreas.

Beer destaca que a região tem uma vantagem, que é a excelente qualificação do trabalhador das empresas automotivas. Segundo o consultor, a mão-de-obra bem preparada facilita o movimento de mudança da vocação regional, com o crescimento de atividades como serviços, engenharia, eletrônica e outras.

Legislação – Uma nova Lei de Incentivos aprovada em São Bernardo pode colaborar para a atração de investimentos no município. O diretor regional da Fiesp no município, Hermes Soncini, afirma que houve uma adequação da legislação (que oferece redução de tributos municipais em contrapartida a investimentos, aumento de arrecadação e geração de emprego), que existe desde 1997. Segundo ele, um dos pontos que foi corrigido é que agora empreendedores que se instalarem em imóveis locados podem reivindicar o benefício.
Fonte: Folha

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